Trabalho de doutorado de Ana Vitória Pupo Silvestrini, formada pela FHO em 2017, combina biotecnologia e terapia gênica e resultou em pedido de patente.
A Fundação Hermínio Ometto (FHO) celebra mais uma grande conquista de seus ex-alunos. A farmacêutica Ana Vitória Pupo Silvestrini, graduada pela FHO em 2017, é a pesquisadora à frente de um dos estudos mais promissores do país para o tratamento do vitiligo.
Desenvolvida durante seu doutorado no Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP-USP), a pesquisa combina nanotecnologia e biotecnologia para conter a resposta autoimune da doença e estimular a repigmentação da pele. O trabalho, orientado pela Profa. Dra. Maria Vitória Bentley, coordenadora do Laboratório Nacional de Nanotecnologia e com colaboração da imunologista Profa. Dra. Cristina Cardoso, resultou em um pedido de patente depositado junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e ganhou repercussão na imprensa nacional, incluindo reportagem no Jornal da USP.
A vocação científica de Ana Vitória começou a ser lapidada durante a graduação na FHO. Entre 2015 e 2017, ela atuou como bolsista de iniciação científica do CNPq, pesquisando a purificação de biomoléculas e estudos de imunotoxicologia e cicatrização.
Essa base impulsionou sua trajetória acadêmica: após a formatura, ingressou direto no mestrado e, em seguida, no doutorado na FCFRP-USP, ambos com bolsas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
O vitiligo é uma doença autoimune e inflamatória que afeta a pigmentação da pele devido à destruição dos melanócitos, células produtoras de melanina. A condição atinge mais de 1 milhão de pessoas no Brasil e cerca de 95 milhões no mundo, e as terapias convencionais disponíveis raramente promovem repigmentação duradoura.
A inovação da pesquisa de Ana Vitória propõe uma abordagem multialvo por silenciamento gênico: como moléculas de RNA de interferência são frágeis e não conseguem ultrapassar sozinhas a barreira natural da pele, a pesquisadora desenvolveu nanopartículas carreadoras capazes de transportá-las com precisão até as camadas profundas afetadas. O sistema carrega simultaneamente fármacos anti-inflamatórios e RNAs silenciadores, que desativam os genes responsáveis pela destruição das células de pigmentação.
Em testes pré-clínicos com modelos animais, a aplicação tópica contínua por 15 dias atenuou a resposta imune citotóxica e promoveu sinais de repigmentação - resultados que abrem caminho para os próximos testes, em humanos.
Para além do avanço técnico, a pesquisa carrega uma importante dimensão humana. Embora não cause limitações físicas diretas, o vitiligo traz forte impacto psicossocial. ''O impacto é significativo, uma vez que as alterações visíveis na aparência frequentemente levam à estigmatização, redução da autoestima, ansiedade e depressão'', ressalta Ana Vitória.
Pensando no acesso da população, a equipe priorizou insumos de custo viável, o que pode permitir no futuro a comercialização do tratamento a preços mais acessíveis, inclusive pela rede pública de saúde.
A trajetória de Ana Vitória da iniciação científica na FHO até a liderança de uma pesquisa patenteada na USP e pronta para futuros ensaios clínicos em humanos, reafirma o compromisso do curso de Farmácia com a excelência acadêmica e o incentivo à investigação científica. A FHO parabeniza a ex-aluna por essa conquista!

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