Segunda-Feira - 17 de agosto de 2026
Aluno de Engenharia Mecânica da FHO solicita patente de tecnologia assistiva para pessoas com limitação motora

O dispositivo utiliza inteligência artificial e sinais musculares para permitir o uso do computador por pessoas com deficiência ou redução de mobilidade.

Os alunos do curso de Engenharia Mecânica da FHO, Murilo Dionisio e João Henrique Fadel deram um importante passo em suas trajetórias acadêmicas e profissionais ao realizarem o depósito do pedido de patente de invenção junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Sob o registro BR 10 2026 005454 2, o projeto ''Mouse Adaptativo Controlado por Eletromiografia para Pessoas com Deficiência nos Membros Superiores'' consiste em uma tecnologia assistiva vestível criada para garantir autonomia digital e inclusão para pessoas com limitação motora nos membros superiores.

Origem no Projeto Interdisciplinar

O projeto nasceu no âmbito dos Projetos Interdisciplinares (PI) da Engenharia da FHO. Ao longo de quatro meses de trabalho, a iniciativa integrou duas disciplinas de conexão e apoio dos cursos de Engenharia - Inovação e Desenho Universal e Eletricidade Aplicada -, sob a orientação do Prof. Dr. Dawson Izola.

De acordo com o orientador, o PI têm papel fundamental ao conectar o aprendizado teórico às demandas da sociedade. "A gente apresenta para os alunos uma série de tecnologias possíveis e pede a eles que sugiram um projeto voltado a atender pessoas com deficiência que eles conheçam. Evidentemente, esses projetos funcionam como um indicativo de solução, apresentando caminhos possíveis para diferentes necessidades", explica o professor.

Mesmo estando no 4º semestre na época do desenvolvimento, os estudantes já aplicaram uma gama diversificada de conteúdos. "Eles pegam o projeto e aplicam eletrônica, eletricidade, modelagem física, simulação, construção mecânica, usinagem e manufatura. Já possuem todas essas noções e passam a aplicá-las em uma solução real", destaca Dawson.

Tecnologia e inovação voltadas à acessibilidade

A solução funciona como um mouse adaptado que combina eletromiografia de superfície (EMG), sensores de movimento, eletrônica embarcada e comunicação sem fio. Para acionar e movimentar o computador, a tecnologia utiliza um conjunto de sensores inteligentes:

Para garantir precisão e evitar disparos acidentais, o dispositivo executa localmente um modelo de inteligência artificial baseado em árvores de decisão. A IA analisa os sinais em tempo real para diferenciar momentos de repouso, movimentos involuntários e contrações intencionais. "Desenvolver o projeto foi um processo desafiador e enriquecedor. Um dos maiores desafios foi trabalhar com sinais biológicos, pois variam entre as pessoas e mudam conforme o posicionamento dos eletrodos ou o nível de contração. Cada dificuldade contribuiu para aperfeiçoar o protótipo e aprofundar conhecimentos em eletrônica, programação, IA e tecnologia assistiva", destaca Murilo.

Impacto social e inclusão no mercado de trabalho

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua 2022) do IBGE, o Brasil possui cerca de 18,6 milhões de pessoas com deficiência (8,9% da população com 2 anos ou mais). Apesar da expressividade do grupo, a taxa de participação no mercado de trabalho em 2019 era de apenas 28,3% entre as pessoas com deficiência, contra 66,3% entre as sem deficiência.

Barreiras de acessibilidade e o capacitismo são apontados como grandes obstáculos para a inclusão. Diante desse cenário, a proposta do mouse adaptativo busca eliminar uma barreira concreta: o acesso ao computador, instrumento fundamental para estudo, capacitação profissional e trabalho na atualidade.

Formação prática

Para a FHO, ver projetos nascidos nas salas de aula e laboratórios se transformarem em pedidos de patente reforça o compromisso da Instituição com a pesquisa e o desenvolvimento social.

"Para mim, o desenvolvimento do projeto e o pedido de patente representam a aplicação prática de tudo o que aprendi no curso. Mostra que a universidade é um espaço não só de teoria, mas de inovação e criação de soluções reais. Espero que essa conquista incentive outros colegas a perceberem o potencial dos seus projetos acadêmicos para gerar impacto social e inovação tecnológica", conclui o estudante.

Acesse o pedido de patente no INPI: Clique aqui para consultar o processo

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