No dia 19 de maio, o curso de Psicologia da Fundação Hermínio Ometto (FHO) realizou, no Auditório do Prédio Central, a 22ª edição do tradicional evento em comemoração ao Dia Nacional de Luta Antimanicomial. Dividida entre os períodos matutino e noturno, a ação reuniu alunos, professores e profissionais da área para discutir os rumos da saúde mental, da resistência e das políticas públicas no país.
Este ano, o evento trouxe como tema central a provocação ''Quando o ódio vira política: saúde mental, resistência e políticas públicas'', propondo uma análise crítica sobre os retrocessos recentes e a necessidade de projetar novos horizontes para o setor.
Para a coordenadora do curso de Psicologia da FHO, Profa. Dra. Ana Paula Basqueira, a manutenção histórica deste evento é fundamental para manter viva a essência da profissão e o compromisso social. ''O evento é um marco no curso de Psicologia e também na história da psicologia no nosso país. É sempre importante retomarmos a discussão da luta para romper com o modelo que tivemos de institucionalização da saúde mental. Mostramos que não basta apenas transformar a estrutura do atendimento, mas romper com uma lógica manicomial no atendimento, o que continua sendo o nosso maior desafio hoje: desinstitucionalizar e levar serviços à população de forma a quebrar de vez com essa lógica'', destacou a coordenadora.
As atividades tiveram início logo cedo com foco na memória histórica do Brasil. Os estudantes acompanharam a exibição do documentário ''Holocausto Brasileiro'', baseado no livro da jornalista Daniela Arbex. A obra retrata a trágica história do hospital psiquiátrico de Barbacena (MG), onde milhares de pessoas foram internadas à força e perderam suas vidas devido a maus-tratos e ao abandono.
De acordo com o Prof. Me. João Paulo Pitoli, um dos organizadores da ação, a escolha do filme teve o objetivo de demarcar um período de retrocessos e fomentar o debate técnico. ''O documentário nos permite caracterizar, compreender e fazer uma leitura crítica das políticas de saúde mental no Brasil até por volta dos anos 90. Diante de tantos retrocessos atuais do ponto de vista das políticas públicas de saúde mental, consideramos crucial re-tematizar esse assunto, pensar futuros e construir novos horizontes'', explicou o professor.
O período noturno foi reservado para a integração acadêmica e o debate prático sobre a rede de atenção psicológica. A abertura da noite contou com uma atividade cultural especial organizada pelos alunos integrantes da comissão organizadora do evento.
Na sequência, o público acompanhou uma mesa redonda mediada pelo Prof. João Paulo Pitoli, que trouxe a discussão para o cenário do município de Araras. O debate contou com a participação das psicólogas Letícia Bettini e Cristiane Zambelli, ambas formadas pela FHO e profissionais atuantes na rede de assistência social da cidade.
''A ideia da mesa foi pensar, dentro da cidade de Araras, uma história que também foi atravessada por uma lógica manicomial até bem recentemente. Pudemos olhar para isso dentro de uma perspectiva futura, debatendo os enfrentamentos e desafios que temos hoje no município em relação às políticas públicas de saúde mental'', concluiu o Prof. João Paulo.

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